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Press Room

15/09/2010

Hunter Entrevista

Joaquim Albertino

Perfil: Joaquim Albertino está em RH há mais de 30 anos. É formado em Direito e Administração de Empresa, com especialização em Recursos Humanos.

Este mês entrevistamos o Joaquim Albertino, Gerente de Recursos Humanos para o Brasil da International Flavors & Fragrances (IFF). A IFF é uma empresa americana, com 3 unidades no Brasil (Rio de Janeiro, Taubaté e Tamboré), e no Brasil está entre as 3 maiores empresas de Aromas e Fragrâncias, com faturamento anual de 140 milhões de dólares e 330 funcionários efetivos.

H: A produção industrial do País avançou após 3 meses de queda consecutivas. O setor químico foi um dos principais responsáveis por este desempenho positivo na economia. A IFF cresceu também neste período?

J.A: Nós somos uma empresa do setor químico que atua especificamente no mercado de aromas e fragrâncias. O mercado brasileiro de cosmético é tido hoje como o 3º maior do mundo, temos grandes companhias brasileiras atuando neste mercado. Parte disso deve-se a vaidade do povo brasileiro, que é um dos maiores consumidores de produtos para estética. Ainda temos muito crescimento pela frente, este é um mercado em plena expansão. Respondendo a sua pergunta, temos crescido junto sim, e vamos crescer ainda mais. Hoje para a IFF, o Brasil é o País mais adequado para este crescimento em toda América Latina.

O que precisamos pensar agora é o seguinte, o Brasil está crescendo muito, este ano a previsão é de 7%. Historicamente há mais de 10 anos não temos um crescimento como este, ai entra a questão da sustentabilidade. O Brasil esta preparado para isso? Em termos de infra-estrutura e logística? E como ficará a questão da mão-de-obra se o Brasil continuar crescendo neste patamar?

H: A IFF está sofrendo as conseqüências do Apagão de Talentos?

J.A: Não vamos falar de apagão de talentos. Nós temos talentos, eles existem, mas se o mercado está aquecido eles estão todos trabalhando. Pensando em médio e longo prazo, precisamos preparar nossos jovens talentos para este mercado cada vez mais...

H: E a IFF tem feito isso?

J.A: Temos feito isso. Contratamos bons talentos que começam em setores onde você tem uma visão do todo na empresa, como os trainees, por exemplo, para que a pessoa possa se desenvolver rapidamente. Essas pessoas já têm uma boa formação e o perfil que precisamos, elas só precisam ter acesso a prática. Assim que conhecem a prática a resposta é rápida. Nós temos formado muita gente internamente.

H: E com relação ao nível técnico?

J.A: Temos trabalhado com universidades. No caso de aromas trabalhamos com a Unicamp, por exemplo, na indústria de alimentos. Em fragrância a gente forma mão-de-obra, embora nem sempre você consiga formar porque esta área requer agilidade e rendimento rápido, aí precisamos buscar pessoas no mercado...

H: Sabemos que na IFF o RH tem um papel estratégico. Considerando o contexto que a empresa está vivendo agora da transferência das operações da IFF do Rio para São Paulo, o que de estratégico o RH tem feito com relação a isso?

J.A: Realmente no ano passado nós transferimos um número grande de pessoas de Taubaté para Tamboré e agora este ano do Rio para Tamboré. Nós criamos um bom pacote de benefícios, custeamos a mudança de cidade, somos os avalistas para imóveis, entregamos benefício em dinheiro de imediato para custear a adequação da casa, mobília, etc., pagamos o hotel e o aluguel do imóvel, mas principalmente adequamos o salário à faixa trabalhada na região metropolitana de São Paulo.

H: Eu conheço a unidade da IFF de Tamboré que é maravilhosa, e sem dúvidas o primeiro convite para trabalhar na empresa.

J.A: Isso é verdade, a gente descobriu que quando fazemos entrevistas na unidade de Tamboré a pessoa fica mais motivada a trabalhar na IFF...

H: Mas, mesmo com essa estrutura, com as práticas que vocês têm adotado e com o pacote de benefícios oferecido por vocês, eu imagino que essa transferência das pessoas da área litorânea, principalmente do Rio para São Paulo tenha causado alguns problemas...Como ficou o desempenho, a motivação das pessoas?

J.A: Olha, tem sido mais tranqüilo do que a gente imaginava. A unidade do Rio fica em Guadalupe, na Zona Norte, uma região bem distante do centro. Em Tamboré as condições de segurança são melhores, o problema maior pra esses funcionários é no final de semana, aí as pessoas sentem mais, mas estamos conseguindo administrar bem isso. Depois que as pessoas descobrem os caminhos da vida da grande metrópole a conversa muda, elas gostam. No início é um susto, mas depois elas descobrem como usufruir do que só São Paulo tem pra oferecer.

H: Além do que falamos, o que de melhor vocês tem feito com relação a práticas de RH?

J.A: Temos um programa que gostaria de compartilhar com vocês, o Programa de Desenvolvimento Pessoal Individual que cada funcionário faz diretamente com seu gestor. São traçadas de 3 a 5 metas anuais de desenvolvimento, além das metas de rotina. Estas metas são pactuadas com a chefia e no meio do ano há uma revisão delas. Se cumpridas, isso pode gerar crescimento profissional de carreira como méritos, ajustes de salários, etc.

Paralelo a este programa, existe a ferramenta one-to-one, que é uma ferramenta chefe- subordinado. Uma vez por mês o chefe senta individualmente com os membros da sua equipe para avaliá-lo com objetivo de alinhar o plano de desenvolvimento. Este é um canal aberto entre os funcionários e seus superiores. Não fica nada subentendido, trata-se de transparência total dos processos. O que ajuda em muito a reter os talentos.

Temos também um incentivo muito grande para treinamento e aperfeiçoamento em escolas, e trabalhamos com on the job training, com intuito de descobrir talentos internos na área mais nobre de fragrância que é a olfativa. Temos também como cultura da empresa a possibilidade de intercâmbio de até 3 anos com a América Latina, com Estados Unidos, e com a Europa.

Além disso tudo, o nosso plano de benefícios está no padrão dos melhores: seguro saúde, assistência odontológica, previdência privada, incentivo para cursos voltados para área de atividade, entre outros.

H: O que você considera como o RH do futuro?

J.A: Que os setores de Rh sejam idealizadores de ferramenta de gestão de RH, mas que cada chefe consiga fazer a gestão do seu time. O gargalo maior, numa empresa, são as pessoas e cada vez mais os chefes sentem isso...

H: Aí na IFF grande parte da equipe é formada por Geração Y. Como é a relação deste gestores com esta geração?

J.A: Alguns gestores precisam ser monitorados pelo Rh quase que constantemente porque não tem a habilidade para trabalhar com este tipo de profissional. Nós do RH trabalhamos muito próximo destes gestores para que esta falta de atenção não aconteça, mas grande parte dos gestores da IFF hoje tem plena consciência disso.

H: Joaquim, que formação você recomenda para quem está começando no RH hoje?

J.A: Lá atrás quando eu comecei a área de direito foi muito importante por conta das negociações trabalhistas, acordos coletivos, sindicatos, etc. Hoje já é diferente, acredito que um bom curso de administração é o que recomendo e depois especialização ou MBA em RH.

H: Joaquim, qual sua maior conquista profissional?

J.A: Eu que já estou a bastante tempo na estrada posso dizer que minha maior conquista é me manter atualizado no mercado. Me sinto atualizado no dia a dia, sou aberto a mudança e tenho consciência que sou um profissional atualizado com RH.

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