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14/10/2010

Hunter Entrevista

Adriano Bispo
Perfil: Adriano Bispo é o Gerente de Recursos
Humanos do Centro Tecnológico da Mahle e Gerente
de Responsabilidade Social Corporativo da empresa
em todo Brasil. Adriano é formado em Administração
e Pós Graduado em Administração de Negócios, está
há 34 anos na área de RH e sua trajetória profissional
inclui empresas como Máquinas Piratininga e
Grupo Iochpe Maxion.

A Hunter entrevistou neste mês Adriano Bispo, da Mahle Brasil. Falamos sobre como a Mahle está ajudando a transformar a Educação de Jovens no Brasil, sobre os desafios do RH e sobre o GRUCA (Grupo de Recursos Humanos de Campinas e Região) que este ano está sob coordenação do Adriano.

A Mahle é uma multinacional de autopeças alemã, com 7 unidades no Brasil , nas cidades de Mogi Guaçu (SP), Indaiatuba (SP), São Bernardo do Campo (SP), Itajubá (MG) e Queimados (RJ); um Centro de Tecnologia em Jundiaí (SP) e um Centro de Distribuição em Limeira (SP). Totaliza em torno de 10.000 colaboradores e um faturamento Brasil da ordem de 1 bilhão de dólares.

Hunter: Adriano, como é assumir estas duas posições em um grupo tão grande no Brasil como a Mahle?

Adriano: Sem dúvida são desafios diferentes. Eu já era Gerente de RH quando apresentei em 2001 uma proposta de responsabilidade social corporativa para diretoria da empresa, que até então fazia algumas ações isoladas, sem coordenação ou foco. Então, a partir de uma análise do mercado, eu e minha equipe estruturamos um programa com foco em duas frentes: na educação do jovem e no voluntariado. A partir de 2002, nós oficializamos esse programa de forma corporativa e firmamos uma parceria com Fundação Iochpe no programa Formare.

H: Como é este programa?

A: O Programa Formare tem por objetivo trazer novas possibilidades e condições de trabalho no futuro para adolescentes carentes. Neste programa, o adolescente de baixa renda tem a oportunidade, dentro das empresas, de estudar durante 1 ano uma série de matérias que sejam alinhadas ao perfil do negócio da empresa. É um programa complementar ao Ensino Médio, que além de trazer matérias de reforço escolar, como Matemática e Português, no caso da Mahle ensina ainda Logística, Desenho, AutoCAD,Comércio, Empreendedorismo, Inglês, entre outros. Neste programa os educadores são os próprios funcionários da empresa e existe todo apoio didático da Universidade Federal do Paraná com a Fundação Iochpe.

H: E como é o critério de escolha destes jovens?

A: É um programa super concorrido porque além da oportunidade de estudar dentro de uma empresa existe uma bolsa remunerada de auxílio para este estudo. A seleção é extremamente rigorosa, existe uma prova de português e matemática como critério eliminatório, um questionário sobre situação econômico-familiar onde a renda média da família não pode ultrapassar o valor de 1 salário mínimo, e por fim uma visita técnica a casa destes jovens para checar a veracidade das informações. Após este 1 ano de programa, a Mahle ajuda estes jovens a recolocarem-se no mercado.

H: Desde quando o programa está em vigor na Mahle e quantos alunos já passaram pelo Projeto Formare?

A: Já formamos 630 jovens e temos 230 funcionários como educadores. Temos um investimento médio de 130 mil reais/ano por escola, que envolve a bolsa auxílio, passeios técnicos, conhecimentos, e sempre um passeio de lazer para fechar o ano. Nós começamos este programa em 2002 com as unidades de Mogi-Guaçu e Itajubá e atualmente estamos com o Programa Formare em 6 unidades com exceção de Queimados, mas já há planos para ter uma escola lá.

H: Existe o acompanhamento e mensuração do resultado do Programa?

A: Não temos a intenção de ter uma mensuração 100% tangível do Programa, uma vez que há alunos que não mantêm mais contato, mas 80% dos alunos saem da escola com empregos garantidos, temos experiência consolidada das primeiras turmas que ainda se comunicam com a empresa, dos ex-alunos que hoje são advogados e engenheiros. Temos também caso de alunos que são absorvidos pela Mahle pelo potencial apresentado durante o programa.

H: Quais outros projetos de Responsabilidade Social foram estruturados no Corporativo?

A: O Formare é o carro-chefe. Além dele, temos outras iniciativas de aporte financeiro, via Lei Rouanet, como o Doutores da Alegria no Hospital Mario Gatti em Campinas e o projeto Dança e Cidadania nas escolas da periferia de Campinas e também em Mogi Guaçu. Outro programa que envolve voluntariado é o Viva e Deixe Viver, onde 50 funcionários da Mahle contam histórias em hospitais para crianças internadas e o próprio Programa Formare onde os educadores são voluntários. Temos ainda varias ações de apoio a creches, asilos, trabalho de informática, etc.

H: Qual foi o critério de escolha para o tema Educação?

A: Qualquer empresa hoje que venha a se envolver com responsabilidade social no Brasil encontra diversas frentes de trabalho, porque existem inúmeras necessidades para atendimento. Nós da Mahle optamos por este tema, e uma grande parte da iniciativa privada tem optado pela Educação, entendendo que este é o principal suporte para formar profissionais mais conscientes tanto no âmbito profissional e pessoal, quanto político.

Sobre as práticas de RH, você viveu um momento super estratégico na Mahle alguns anos atrás de unificação de culturas. Como foi isso?

A: Em 2002, nós vivemos uma realidade de várias Mahles, ou melhor, várias empresas dentro de um mesmo guarda-chuva, cada uma com suas práticas: Mahle Pistões e Matriz, Mahle Trem de Válvulas (antiga MMG), Metal Leve e Cofap Anéis. O trabalho inicial foi unificar todas essas políticas. Eu já tinha experiência da estruturação do escritório corporativo da Iochpe Maxion em São Paulo, onde parte da Diretoria veio do Sul com outra cultura. Obviamente a estruturação da Mahle foi em outra proporção e teve o aspecto regional, mas este know-how me ajudou a alinhar alguns procedimentos e formas de abordagem. Minha missão era unificar as políticas de RH, onde a premissa para instituir as políticas era a coerência do que pretendíamos como Grupo, ao invés de formalizar a política que oferecesse mais dentre estas empresas. O que era outro grande desafio. Além disso, era muito importante criar e formalizar projetos e programas de desenvolvimento para lideranças e colaboradores.

O caminho mais adequado foi instituir um único plano congruente de desenvolvimento gerencial/liderança onde todos pudessem se integrar e verificar que não havia diferenças. A comunicação reforçada e transparente foi a peça-chave. Com o tempo conseguimos solidificar uma única identidade, mas é óbvio que o resultado não foi 100% atingido. As culturas não se alteram por decreto. É um processo lento e gradual.

H: Adriano, este ano você foi eleito o Coordenador do GRUCA, que é um dos grupos de RH mais relevantes da região, e extremamente ativo. Quais os grandes desafios dessa função e o que mudou no GRUCA nos últimos anos?

A: O GRUCA vem passando por mudanças principalmente no que tange a forma de atuação, para ficarem mais aderentes e alinhadas às necessidades atuais. Eu já estou há 8 anos colaborando com o Grupo, procurando junto com meus colegas trabalhar em termos de informação, alinhamento das empresas da região, além da própria questão da missão do GRUCA. Por conta disso temos trabalhado desde gestões anteriores - não só a minha - com Fóruns de RH e de negócios em geral, abertos para comunidade de RH da região, procurando disseminar as boas práticas e a troca de experiência e idéias, de forma que os encontros do grupo não se resumam em uma troca de informações internas mensal. No ano passado foi desenvolvido o projeto Jovens Líderes, tivemos também encontros técnicos, e encontros entre presidentes de RH. Este ano junto aos CTs (Comissões Técnicas do GRUCA: desenvolvimento, relações sindicais e trabalhistas, e sustentabilidade) promovemos 3 Fóruns, cada um com um tema sob o CT organizador, para que pudéssemos disseminar informações interessantes e fazer o movimento da diferença. É um grande desafio ser Coordenador do GRUCA devido às empresas e colegas que os compõem, todos com muita vivência de negócios e de RH, e o desafio maior é atender a todas as expectativas. Partimos de uma linha mestra de planejamento anual que buscamos seguir para atingir a maior parte dos objetivos.

H: O Grupo agora está comemorando seus 52 anos e teremos em breve, 28/10, o evento comemorativo...

A: É verdade. Essa é uma constatação da importância deste grupo histórico, que transformou muitas empresas da região e merece ser celebrado. É uma grande responsabilidade tanto dos grupos de RH atuais, quanto os que estão chegando agora, de perpetuar esta linha e fazer realmente a diferença.

H: De tudo o que conversamos, qual você considera a sua maior conquista profissional até hoje?

A: E difícil falar sobre uma única, mas eu acredito que minha maior conquista no âmbito profissional são duas na verdade. Dois grandes projetos que são de grande impacto e eu considero como legado profissional: o primeiro é o trabalho de estruturação das políticas e programas do RH da Mahle; e o segundo foi sem dúvida à criação do programa de responsabilidade social, que tem um impacto em muitas vidas e já beneficiou muita gente.

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